Aparência
Troca de Cânula de Traqueostomia Plástica
Procedimento Operacional Padrão — HUSE Pediatria.
1. Finalidade
Padronizar a assistência na troca de cânula de traqueostomia plástica, garantindo a manutenção da via aérea pérvia, prevenção de eventos adversos e redução de complicações relacionadas ao procedimento.
2. Local de Execução
Unidades assistenciais.
3. Executante
Médico.
4. Definição
A troca de cânula de traqueostomia consiste na substituição da cânula previamente instalada por outra estéril, de mesmo calibre ou conforme avaliação clínica, podendo ocorrer de forma eletiva (programada) ou em situação de urgência, como:
- obstrução;
- deslocamento;
- dano estrutural.
A troca envolve risco potencial de perda de via aérea, especialmente em traqueostomias recentes (< 7 dias).
5. Indicações
- Troca programada;
- obstrução por secreção;
- dano estrutural da cânula ou mau funcionamento do cuff;
- suspeita de colonização significativa com necessidade de substituição.
6. Recursos Necessários
6.1 Preparação e Monitorização
- Obter acesso periférico;
- monitorização completa:
- ECG;
- SpO₂;
- PNI;
- luva estéril;
- gaze estéril;
- seringas de 5 mL;
- lâmina de bisturi nº 11.
6.2 Cânulas e Dispositivos de Via Aérea
- Cânula nova estéril, do mesmo calibre;
- cânula de calibre menor (backup obrigatório);
- tubo endotraqueal com cuff (backup obrigatório);
- mandril/guia, preferencialmente bougie;
- tubo endotraqueal sem cuff mais fino, 2,5 sem cuff, para uso como guia.
6.3 Lubrificação, Aspiração e Oxigenação
- Lubrificante hidrossolúvel;
- lidocaína gel, em frasco estéril lacrado;
- sistema de aspiração montado e testado, com sonda adequada;
- fonte de oxigênio;
- bolsa-válvula-máscara (Ambu).
6.4 Drogas para Anestesia
- Atropina 0,5 mg/mL — 1 mL em seringa;
- cetamina 50 mg/mL — deixar diluída na concentração de ¼;
- propofol — preencher uma seringa de 5 mL.
6.5 Fixação, Curativo e EPI
- Material para fixação;
- EPI:
- óculos;
- máscara cirúrgica;
- luvas de procedimento;
- luvas estéreis;
- avental descartável;
- material para curativo:
- curativo de espuma.
6.6 Manejo de Emergências
Manter disponível:
- cânula orotraqueal de mesmo calibre e uma abaixo, com e sem cuff;
- caixa de laringoscópio com lâminas retas e curvas testadas;
- Ambu;
- sistema de aspiração a postos;
- drogas:
- rocurônio;
- adrenalina 1:9;
- caixa de pequena cirurgia;
- fio de sutura nylon 3 ou 4, agulhado.
7. Periodicidade
Conforme necessidade clínica.
8. Procedimento
Executante: Médico
- Higienizar as mãos.
- Conferir a indicação.
- Avaliar estabilidade clínica.
- Instalar monitorização.
- Separar o material necessário.
- Garantir presença de equipe habilitada e plano de contingência, mantendo carro de emergência checado e lacrado no local da troca.
- Posicionar o paciente em decúbito dorsal com leve extensão cervical, se não contraindicado.
- Aspirar vias aéreas antes do procedimento, se necessário.
- Higienizar as mãos.
- Paramentar-se.
- Testar cuff da nova cânula, quando aplicável.
- Desinsuflar cuff da cânula antiga.
- Retirar a fixação.
- Remover a cânula cuidadosamente.
- Introduzir a nova cânula com mandril.
- Retirar o mandril imediatamente após a inserção.
- Insuflar o cuff, se indicado, conforme volume de ar recomendado.
- Conectar à fonte de oxigênio.
- Avaliar expansão torácica, ausculta pulmonar e saturação.
- Confirmar posicionamento adequado.
- Monitorizar sinais vitais.
- Fixar a cânula adequadamente, permitindo passagem de um dedo.
- Realizar curativo.
- Registrar em prontuário:
- tipo e número da cânula;
- presença de cuff;
- volume insuflado;
- condições do estoma;
- intercorrências.
Observação
Para garantir a segurança do procedimento, é necessária a participação da equipe multidisciplinar durante todo o processo, desde a indicação e o preparo até a realização da troca.
9. Informações Importantes
9.1 Principais Complicações
- Falsa via;
- obstrução por tampão mucoso;
- dessaturação;
- sangramento;
- enfisema subcutâneo;
- parada cardiorrespiratória.
9.2 Medidas de Segurança
- Nunca realizar primeira troca precoce (< 7 dias) sem avaliação especializada;
- manter sempre cânula de menor calibre disponível;
- não forçar a inserção;
- manter material para aspiração montado e testado;
- garantir equipe multidisciplinar completa e capacitada;
- manter monitorização contínua durante e após o procedimento.
9.3 Medicamentos Utilizados
- Atropina — 1 mL;
- cetamina — 1 mL + 4 mL de AD;
- propofol puro — 5 mL.
Drogas de emergência:
- rocurônio;
- adrenalina.
ATENÇÃO: manter carro de emergência testado e lacrado próximo ao leito.
9.4 Registros e Notificações
- Registrar o procedimento em prontuário;
- notificar evento adverso, quando aplicável.
10. Elaboração, Revisão e Aprovação
Elaborado por
Raul Yoshio Koga Filho
Revisão
SCIH / Serviço de Qualidade
Aprovação
Campo não preenchido no documento original.
11. Referências
AMERICAN ASSOCIATION FOR RESPIRATORY CARE (AARC). AARC Clinical Practice Guideline: Care of the Patient with a Tracheostomy. Respiratory Care, 2010.
MORRIS, L. L.; WHITMER, A.; McINTOSH, E. Tracheostomy care and complications in the intensive care unit. Critical Care Nurse, 2013.
