Aparência
Abscesso Cerebral
Documento oficial: PRO.PED.07
Tipo documental: Protocolo
Emissão: 30/03/2026
Próxima revisão: 30/09/2029
Versão apresentada no cabeçalho: 01
Instituição: Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho — HUSE
Status: Migração fiel do documento institucional; conteúdo não revisado nesta etapa.
1. Conceito / Definição
O abscesso cerebral é uma das doenças mais graves do sistema nervoso central — SNC.
É, por definição, uma coleção purulenta encefálica intraparenquimatosa, circundada por uma cápsula bem vascularizada, sendo precedida, sempre, por uma cerebrite.
Ocorre em decorrência de uma infecção intracraniana e/ou extracraniana, representando até 8% das lesões que causam efeito de massa nos países em desenvolvimento.
É mais frequente em homens, numa proporção que varia de 1,5 a 3 vezes.
Acomete todas as faixas etárias, porém ocorre um pico nas crianças entre 4 e 7 anos.
A incidência de abscesso após procedimento neurocirúrgico relatada no documento é de 0,2%.
Nos últimos 25 anos, com o avanço das tecnologias, principalmente no que diz respeito aos exames de imagem, como tomografia e ressonância, o diagnóstico pode ser dado de forma mais precoce, impactando significativamente na mortalidade.
O documento relata redução da mortalidade de 22,7–45% para 0–20%, embora permaneça uma doença com alta morbidade, principalmente quando o diagnóstico é realizado tardiamente.
2. Objetivo
Padronizar a investigação e orientar as melhores opções terapêuticas em pacientes pediátricos no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho — HUSE.
3. Justificativa
O abscesso cerebral é uma condição grave e, quando tratado precocemente, apresenta desfechos mais favoráveis.
Por isso, é essencial estabelecer um protocolo bem definido e oferecer treinamento adequado para o reconhecimento rápido e o tratamento eficaz.
4. Critérios de Inclusão e Exclusão
Serão incluídos todos os pacientes menores de 13 anos com suspeita de abscesso cerebral, incluindo aqueles que apresentarem:
- cefaleia;
- febre;
- crise convulsiva;
- achados neurológicos focais.
Observação do documento: a tríade clássica — cefaleia, febre e déficit neurológico focal — não está presente na maioria dos casos. Desse modo, o alto nível de suspeição é extremamente importante.
Serão excluídos:
- indivíduos maiores de 13 anos;
- pacientes que não apresentarem alterações na propedêutica complementar compatíveis com abscesso cerebral.
5. Atribuições, Competências e Responsabilidades
I. Médico pediatra diarista
Compete ao médico pediatra diarista:
- realizar evolução diária com exame neurológico seriado e registro em prontuário;
- solicitar exames e interconsultas;
- executar procedimentos do pediatra geral;
- prescrever cuidados e tratamentos;
- definir conduta terapêutica;
- orientar a família;
- indicar alta ou transferência;
- proceder aos relatórios, encaminhamentos e receitas;
- garantir continuidade do cuidado.
II. Médico pediatra plantonista
Compete ao médico pediatra plantonista:
- realizar admissão e internação com documentação adequada;
- atender intercorrências;
- solicitar exames;
- realizar procedimentos necessários;
- estabilizar o paciente;
- indicar transferência quando necessário;
- proceder aos relatórios e encaminhamentos;
- orientar familiares/responsáveis;
- registrar todas as suas ações assistenciais em prontuário.
III. Médico especialista
Especialidades citadas no documento:
- Infectologia;
- Neurocirurgia Pediátrica;
- Neurologia Pediátrica;
- Otorrinolaringologia;
- Odontologia Hospitalar.
Compete ao médico especialista:
- realizar avaliação especializada quando solicitada a interconsulta;
- registrar sua avaliação no prontuário do paciente;
- explicitar sua impressão do caso;
- indicar a conduta mais adequada na perspectiva da especialidade.
IV. Enfermeiro
Compete ao enfermeiro:
- realizar avaliação de enfermagem com registro em prontuário;
- proceder à prescrição de cuidados;
- supervisionar e apoiar a equipe de enfermagem;
- executar procedimentos, incluindo:
- curativos;
- aspiração;
- sondagens;
- reanimação;
- punções;
- prestar orientações às famílias sobre a assistência de enfermagem.
V. Fisioterapeuta
Compete ao fisioterapeuta:
- realizar avaliação física geral;
- registrar em prontuário sua impressão, condição do paciente e conduta fisioterápica;
- discutir com o médico assistente a necessidade de suplementação de oxigênio ou suporte ventilatório;
- supervisionar suporte ventilatório em conjunto com a equipe médica.
VI. Nutricionista
Compete ao nutricionista:
- realizar avaliação nutricional;
- registrar em prontuário sua impressão, diagnóstico nutricional e prescrição dietoterápica;
- discutir com o médico assistente a necessidade de nutrição por vias alternativas;
- supervisionar preparo e administração da dieta.
VII. Técnico de enfermagem
Compete ao técnico de enfermagem:
- verificar sinais vitais;
- preparar e administrar medicamentos;
- realizar curativos simples;
- realizar punção venosa periférica;
- executar cuidados básicos de higiene;
- realizar mudança de decúbito;
- proteger proeminências ósseas;
- auxiliar em procedimentos e na ressuscitação;
- transportar o paciente com segurança;
- registrar suas ações em prontuário.
6. Etiologia
Os mecanismos associados ao surgimento dos abscessos cerebrais permitem estabelecer relação entre o agente etiológico e o local de origem da infecção.
Otites médias e mastoidites
São descritas como associadas principalmente a:
- Streptococcus spp.
Sinusites paranasais
Podem estar associadas a:
- Streptococcus spp.;
- Bacteroides spp.;
- Enterobacteriaceae;
- Staphylococcus aureus.
Infecções odontogênicas
O documento descreve como microrganismos mais comuns:
- Streptococcus spp.
Infecções pulmonares
Podem estar associadas a:
- Streptococcus spp.;
- N. asteroides;
- Actinomyces spp.;
- Bacteroides spp.
O documento relata como principais localizações:
- ramos da artéria cerebral média;
- região frequentemente com abscessos múltiplos.
Imunossuprimidos
Quando infectados, são descritas associações com:
- Toxoplasma gondii;
- Nocardia spp.;
- Listeria monocytogenes.
Traumas cranianos
Podem estar associados a:
- Staphylococcus aureus;
- Streptococcus spp.;
- Clostridium;
- Enterobacteriaceae.
Observação do documento: em metanálise citada como da American Academy of Neurology, de 2014, com 9.669 pacientes, os patógenos mais associados ao abscesso foram Streptococcus spp. e Staphylococcus spp., tanto em adultos quanto em crianças.
7. História Clínica e Exame Físico
Os abscessos cerebrais podem se originar de cinco formas:
- contiguidade;
- disseminação metastática ou hematogênica;
- traumas cranianos;
- pós-neurocirurgia;
- origem desconhecida.
7.1 Mecanismos de origem
I. Contiguidade
A lesão cerebral surge por comunicação do encéfalo com osteomielite e/ou tromboflebite das veias emissárias.
O documento relaciona esse mecanismo a infecções como:
- sinusite frontal;
- sinusite do seio esfenoidal;
- mastoidite.
II. Metastática ou hematogênica
Está associada principalmente a abscessos múltiplos e costuma originar-se de:
- infecções pulmonares;
- fístulas arteriovenosas;
- doenças cardíacas cianóticas, especialmente tetralogia de Fallot;
- endocardites;
- infecções do trato gastrointestinal disseminadas pelo plexo de Batson;
- infecções odontogênicas.
O documento ressalta que as infecções odontogênicas podem gerar abscesso cerca de 4 semanas após o evento.
Observação do documento: na infância, cerca de 30 a 34% dos casos de abscesso cerebral possuem algum defeito cardíaco, sendo a disseminação hematogênica a mais comum.
III. Traumas cranianos
Relacionam-se geralmente a:
- fraturas;
- corpos estranhos intracerebrais;
- comprometimento de seios;
- fístula liquórica.
Em ferimentos por arma de fogo — FAF — com fístula liquórica, o documento descreve correção cirúrgica e considera o projétil como estéril.
IV. Pós-neurocirúrgicas
As infecções pós-neurocirúrgicas são descritas como semelhantes aos casos de trauma, especialmente quando há acometimento dos seios.
O documento destaca maior ocorrência em:
- crianças prematuras;
- pacientes submetidos a derivações;
- infecções associadas a cateter.
Estágios da infecção
Os abscessos cerebrais podem ser classificados conforme o estágio da infecção:
Cerebrite precoce — 1 a 3 dias
Marcada por:
- grande edema cerebral;
- rápida infiltração perivascular.
Cerebrite tardia — 4 a 9 dias
Marcada por:
- crescimento do centro necrótico;
- intensa neovascularização.
Cápsula precoce — 10 a 13 dias
Marcada por:
- diminuição do centro necrótico;
- início da cápsula de colágeno;
- diminuição do edema.
Cápsula tardia — após 14 dias
Marcada por:
- crescente diminuição do centro necrótico;
- cápsula bem formada;
- regressão do edema.
Mecanismos de disseminação dos patógenos para o SNC
| Mecanismo | Frequência descrita |
|---|---|
| Continuidade de processo infeccioso no crânio | 25% a 50% |
| Disseminação hematogênica | 20% a 30% |
| Trauma | 15% a 20% |
Fonte apresentada no documento: adaptado de Condutas em Neurocirurgia: Fundamentos Práticos — Crânio.
7.1 Quadro Clínico
As manifestações clínicas são variadas e dependem de:
- tamanho do abscesso;
- localização da lesão;
- virulência do patógeno.
O sintoma mais comum é a cefaleia, presente em cerca de 60 a 70% dos casos.
A febre está presente em aproximadamente 50% dos casos.
Cerca de metade dos pacientes pode apresentar achados neurológicos focais.
A crise convulsiva está presente em aproximadamente 25% dos casos.
Observação do documento: a tríade clássica — febre, cefaleia e achados neurológicos focais — está presente em apenas cerca de 50% dos casos.
Observação do documento: cefaleia associada a piora súbita e sintomas de meningismo pode significar ruptura do abscesso para os ventrículos.
Localização e achados no exame físico
| Localização | Achados descritos |
|---|---|
| Frontal | Cefaleia; alteração de comportamento; hemiparesia; afasia motora; desorientação |
| Parietal | Cefaleia; déficit sensitivo; afasia |
| Temporal | Cefaleia; afasia ou disfasia; déficit visual |
| Occipital | Cefaleia; déficit visual |
| Cerebelo | Cefaleia; nistagmo; ataxia; vômitos; dismetria |
| Tronco encefálico | Déficit em nervos cranianos; comprometimento de tratos ascendentes e descendentes |
7.2 Exames Diagnósticos Indicados
O diagnóstico é suspeitado com base no quadro clínico e confirmado por meio de exames de imagem.
Alguns exames laboratoriais podem auxiliar, principalmente no seguimento dos pacientes, incluindo:
- proteína C-reativa — PCR;
- VHS;
- hemograma.
A cultura é considerada de extrema importância para orientar a terapêutica adequada.
Punção lombar
Observação do documento: a punção lombar para análise do líquor não é exame padrão nos casos de abscesso cerebral.
O documento relata positividade em apenas 6 a 22% dos casos e ressalta que, na maioria das situações, o risco-benefício não é favorável devido ao risco de herniação transtentorial.
Tomografia computadorizada de crânio
No geral, o primeiro exame a ser realizado é a tomografia computadorizada — TC — de crânio.
Na fase inicial de cerebrite, o exame pode:
- ser normal;
- apresentar pequenas áreas hipodensas;
- não apresentar realce pelo contraste.
Com a evolução para abscesso, pode ser observada:
- lesão expansiva arredondada;
- área hipoatenuante;
- realce anelar;
- área hipodensa perilesional.

Ressonância magnética de crânio
As fases de cerebrite inicial e tardia podem apresentar achados sutis na ressonância magnética — RNM — de crânio, não sendo possível, segundo o documento, estabelecer o diagnóstico apenas por esses achados.
Nesse estágio:
- o realce pelo contraste é discreto e heterogêneo;
- pode ser identificada área mal definida;
- há efeito expansivo;
- observa-se hipersinal em T2 e FLAIR.
Na fase de formação da cápsula, a RNM pode demonstrar:
- lesão arredondada;
- conteúdo hiperintenso em T2 e FLAIR;
- hipointensidade em T1;
- halo edematoso ao redor.




Fonte das figuras no documento: Principles and Practice of Pediatric Neurosurgery, 3rd edition, 2015.
Espectroscopia
A RNM com espectroscopia também pode ser útil.
8. Tratamento Indicado e Plano Terapêutico
O tratamento é baseado em:
- uso de antibiótico;
- drenagem cirúrgica.
O esquema terapêutico depende do agente etiológico e da via de disseminação do abscesso.
Esquema Antimicrobiano Empírico no Abscesso Cerebral Pediátrico
Fonte institucional: PRO.PED.07 — Abscesso Cerebral
Emissão: 30/03/2026
Próxima revisão: 30/09/2029
Status: Migração fiel da tabela institucional; conteúdo não revisado nesta etapa.
| Local de origem | Esquema antimicrobiano empírico |
|---|---|
| Infecção odontogênica, sinusite, otite, mastoidite, cardiopatia congênita cianótica | Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 12/12 h + Metronidazol 30–40 mg/kg/dia (máx. 2 g/dia) EV 8/8 h ou 6/6 h |
| Disseminação hematogênica — bacteremia ou endocardite com múltiplos abscessos | Vancomicina 60 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 6/6 h ou 12/12 h (≥ 12 anos e 50 kg) |
| Pós-operatório neurocirúrgico | Cefepima 150 mg/kg/dia (máx. 6 g/dia) EV 8/8 h + Vancomicina 60 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 6/6 h |
| Trauma penetrante | Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 12/12 h + Metronidazol 30–40 mg/kg/dia (máx. 2 g/dia) EV 8/8 h ou 6/6 h + Oxacilina 200 mg/kg/dia (máx. 12 g/dia) EV 4/4 h ou 6/6 h |
| Período neonatal — 8 a 28 dias e > 2 kg | Ampicilina 300 mg/kg/dia EV 8/8 h + Cefotaxima 150 mg/kg/dia EV 8/8 h |
| Imunodeficiência ou imunossupressão | Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 12/12 h + Metronidazol 30–40 mg/kg/dia (máx. 2 g/dia) EV 8/8 h ou 6/6 h + Vancomicina 60 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 6/6 h ou 12/12 h (≥ 12 anos e 50 kg) |
| Infecção de pele ou partes moles | Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 12/12 h + Oxacilina 200 mg/kg/dia (máx. 12 g/dia) EV 4/4 h ou 6/6 h |
| Sem causa conhecida | Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia) EV 12/12 h + Metronidazol 30–40 mg/kg/dia (máx. 2 g/dia) EV 8/8 h ou 6/6 h |
Tempo de tratamento: geralmente de 4 a 8 semanas.
Fonte apresentada no documento: adaptado de Principles and Practice of Pediatric Neurosurgery, 3rd edition, 2015.
Nota: conteúdo mantido conforme o documento institucional. Esquemas e doses deverão ser objeto de revisão clínica específica antes de eventual atualização.
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Tratamento cirúrgico
As lesões consideradas cirúrgicas pelo documento são aquelas com diâmetro > 2,5 cm.
O procedimento pode ser realizado por:
- aspiração estereotáxica;
- microcirurgia para retirada da lesão.
Mesmo em lesões menores, a craniotomia pode ser necessária quando houver:
- fragmentos ósseos pós-traumáticos;
- corpo estranho.
Nesses casos, o objetivo descrito é a retirada do material e a prevenção de recorrência.
Nos abscessos cerebrais em crianças ou em continuidade com foco primário, a excisão cirúrgica também é descrita como recomendada.
Tratamento conservador
Podem ser tratados de forma conservadora os seguintes casos:
- abscesso em contexto de bacteremia, quando o antibiótico puder ser guiado pela hemocultura;
- cerebrite precoce sem evidência de necrose;
- abscessos localizados em regiões vitais do cérebro, sem possibilidade de acesso cirúrgico, mesmo por aspiração estereotáxica;
- lesões < 2,5 cm, com escala de coma de Glasgow — GCS — > 12.
Observação do documento: em casos de evacuação cirúrgica completa, o esquema antibiótico pode ser menor, com cerca de 3 a 4 semanas.
Observação do documento: estudos com imagens seriadas a cada 3 meses após a resolução são descritos como necessários para acompanhamento de possível falha na resolução ou reexpansão.
Ruptura ventricular
O documento relata mortalidade de cerca de 85% nos casos de ruptura ventricular.
Nessa situação, descreve-se necessidade de:
- craniotomia emergencial para evacuação;
- debridamento da cavidade do abscesso;
- drenagem ventricular externa;
- uso de antibiótico intratecal.
Candidato a revisão/errata: confirmar indicação, evidência e contexto de uso de antibiótico intratecal.
Abscesso após ferimento por arma de fogo
Pacientes que desenvolvem abscesso após ferimento por arma de fogo — FAF — devem, segundo o documento, ser tratados com cirurgia para:
- retirada da lesão;
- debridamento do conteúdo;
- debridamento da região do trajeto do projétil.
Aspiração estereotáxica
A aspiração estereotáxica é descrita como excelente opção para:
- abscessos profundos;
- abscessos múltiplos;
- pacientes com muitas comorbidades que não tolerariam anestesia geral.
Corticoides e anticonvulsivantes
Corticoide
O documento ressalta que os corticoides:
- são imunossupressores;
- diminuem a penetração de antibióticos pela barreira hematoencefálica.
Por isso, são descritos como indicados apenas em pacientes:
- instáveis;
- com efeito de massa importante;
- com sinais de aumento da pressão intracraniana.
Devem ser utilizados por curto período.
Dexametasona: 0,15 mg/kg/dose EV a cada 6 horas, por 2 a 4 dias.
Candidato a revisão/errata: confirmar dose, duração e critérios clínicos de corticoterapia na próxima revisão científica.
Antiepilépticos
Em pacientes com abscesso cerebral e crise convulsiva, o uso de antiepiléptico é descrito como bem estabelecido.
De forma profilática, o documento informa não haver evidências de benefício.
Fenitoína
- dose de ataque: 20 mg/kg EV;
- manutenção: 5 a 10 mg/kg/dia EV.
Fenobarbital sódico
- dose de ataque: 15 a 20 mg/kg EV;
- manutenção: 3 a 5 mg/kg/dia EV.
Deve-se observar depressão respiratória e sensorial, que pode ser potencializada pelo uso prévio de diazepam.
9. Desfechos e Critérios de Alta Hospitalar
Nos pacientes sobreviventes, algumas sequelas são descritas como possíveis:
- hemiparesia;
- déficit visual;
- epilepsia;
- hidrocefalia;
- disfunção cognitiva.
O documento relata ocorrência aproximada de sequelas em 70% dos pacientes.
Ressalta ainda que o prognóstico é pior quanto pior for a apresentação inicial do quadro.
Critérios de alta
São considerados elegíveis para alta os pacientes que, após cumprirem o esquema antimicrobiano:
- apresentem melhora do quadro neurológico;
- apresentem melhora do estado clínico geral;
- estejam afebris;
- não apresentem intercorrências nas últimas 48 horas.
Candidato a revisão/errata: discutir se “cumprirem o esquema antimicrobiano” implica conclusão integral do tratamento ainda em internação ou se há previsão formal de continuidade terapêutica fora do hospital.
Referências
ALBRIGHT, A. Leland; POLLACK, Ian F.; ADELSON, P. David. Principles and Practice of Pediatric Neurosurgery. 3rd edition. 2015.
FIGUEIREDO, Eberval Gadelha. Condutas em Neurocirurgia: fundamentos práticos — crânio. Rio de Janeiro: Thieme Revinter, 2022.
GREENBERG, Mark. Greenberg’s Handbook of Neurosurgery. 10th ed. 2023.
ITZHAK BROOK. Brain Abscess Treatment & Management. Medscape. Atualizado em 30 de abril de 2025. Acesso em 12/02/2026.
Neurologia Pediátrica. Organizadores: Heloisa Viscaino Fernandes Souza Pereira; Andréia de Santana Silva Moreira. 2. ed. Barueri, SP: Manole, 2020. Pediatria SOPERJ; 4.
Pronto-socorro. Coordenadores: Claudio Schvartsman et al.; editores da coleção Clovis Artur Almeida da Silva, Filumena Maria da Silva Gomes, Magda Carneiro-Sampaio. 4. ed. Santana de Parnaíba, SP: Manole, 2023.
SIQUEIRA, M. G. Tratado de Neurocirurgia. 1ª ed. Barueri, SP: Manole, 2016.
SOUTHWICK, Frederick S.; TUNKEL, Allan R.; WHITE, Nicole. Treatment and prognosis of bacterial brain abscess. UpToDate, 2025.
Histórico de Revisão
| Versão | Data | Descrição da alteração |
|---|---|---|
| 01 | 14/03/2026 | Elaboração inicial do documento |
| 02 | 27/03/2026 | Revisão geral |
| 02 | 30/03/2026 | Atualização dos dados |
Candidato a revisão/errata: o cabeçalho institucional apresenta Versão 01, enquanto o histórico contém duas entradas identificadas como versão 02. Confirmar numeração vigente do documento.
Elaboração / Revisão
- Gabriel Campos Lobo — Médico Residente de Neurocirurgia / HUSE
Data apresentada: 29/08/2025
Candidato a revisão/errata: a data de elaboração/revisão antecede as datas registradas no histórico de versões de 2026; confirmar cronologia documental.
Análise
- Vanise Aragão Santos Parente — Infectologista da Pediatria / HUSE
Data: 25/03/2026
Validação
- Flávia Bianca Suica Mota Santos — Coordenadora do Núcleo de Serviço da Qualidade Hospitalar / HUSE
- Renata Dantas de Santana — Núcleo de Serviço da Qualidade Hospitalar / HUSE
Data: 31/03/2026
Aprovação
- Maria Lúcia Santos — Diretora Assistencial / HUSE
Data: 31/03/2026
Candidato a revisão/errata: validação e aprovação estão datadas de 31/03/2026, enquanto o cabeçalho informa emissão em 30/03/2026.
Nota editorial: o documento original contém, ao final da página 7, o texto isolado “Retirar isso”, caracterizando provável artefato editorial. Ele não foi incorporado ao corpo clínico desta migração e permanece registrado aqui para revisão documental.
