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Tuberculose na Infância

Documento oficial: PRO.PED.001
Tipo documental: Protocolo
Emissão: 11/03/2025
Próxima revisão: 11/03/2028
Versão: 01
Instituição: Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho — HUSE
Status: Migração fiel do documento institucional; conteúdo não revisado nesta etapa.

1. Conceito

A tuberculose — TB — é doença infecciosa causada por bacilos do complexo Mycobacterium tuberculosis e transmitida principalmente por contato com pessoa bacilífera — que elimina bacilos pela via respiratória —, sem tratamento ou em até 15 dias após o início do tratamento, por meio de aerossol.

O bacilo pode permanecer em período de latência, que pode ser prolongado até por vários anos, sendo que o risco de adoecimento é maior nos primeiros dois anos.

Pessoa com TB exclusivamente extrapulmonar não transmite a doença.

A tuberculose é agravo de notificação compulsória, devendo o profissional de saúde que fez a suspeita certificar-se de que seja realizado o registro no SINAN — Sistema de Informação de Agravos de Notificação.

Precaução

A precaução adequada para paciente em investigação ou com baciloscopia/cultura de escarro positiva é:

  • manter o paciente em quarto privativo;
  • o paciente deve utilizar máscara cirúrgica ao ser transportado fora do quarto;
  • o profissional de saúde deve utilizar máscara PFF2/N95;
  • avental, luvas e óculos devem ser utilizados se for realizado procedimento que possa produzir respingo de secreção.

A precaução deve ser mantida por 15 dias do início do tratamento adequado, inclusive se o paciente for dispensado para tratamento em domicílio.

1.1 Definições

I. TB ativa

Infecção pelo Mycobacterium tuberculosis com manifestação de sinais e sintomas — adoecimento.

II. Infecção Latente da Tuberculose — ILTB

Infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis, quando não há doença ativa apesar da presença da bactéria no organismo.

III. Contato

Toda pessoa que foi exposta a caso de TB confirmada, no convívio em:

  • casa;
  • escola;
  • instituição;
  • outros ambientes.

A avaliação de risco de infecção deve levar em conta:

  • a forma de doença do caso-fonte;
  • o ambiente;
  • o tempo de exposição.

IV. Caso suspeito de tuberculose pulmonar

Pessoa com tosse há ≥ 3 semanas — se pessoa vivendo com HIV/AIDS, tosse com qualquer duração — associada ou não a:

  • febre vespertina;
  • sudorese noturna;
  • emagrecimento;
  • inapetência.

V. Suspeita de tuberculose extrapulmonar

Os sinais e sintomas dependem da área acometida.


2. Objetivo

Padronizar a investigação da tuberculose em pacientes pediátricos, bem como orientar as melhores opções terapêuticas no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho — HUSE.


3. Justificativa

A tuberculose na infância pode apresentar-se de formas variadas, dificultando o diagnóstico.

A utilização do sistema de escore está indicada pelo Ministério da Saúde e a padronização de linhas investigativas deve ser adotada para o reconhecimento da patologia e manejo assertivo.


4. Critérios de Inclusão e Exclusão

Serão incluídos:

  • todos os indivíduos abaixo de 13 anos com suspeita de tuberculose pela definição do Ministério da Saúde de caso suspeito;
  • indivíduos com sinais e sintomas sugestivos de TB;
  • contatos próximos de pessoas com tuberculose bacilífera.

Serão excluídos:

  • indivíduos a partir de 13 anos;
  • indivíduos que comprovem etiologia outra que não o Mycobacterium tuberculosis;
  • indivíduos que, à investigação, resultem em caso descartado;
  • casos de ILTB, que deverão ser abordados conforme protocolo específico.

5. Atribuições, Competências e Responsabilidades

I. Médico pediatra diarista

Compete ao médico pediatra diarista:

  • realizar evolução diária do paciente internado, registrando adequadamente em prontuário;
  • solicitar exames e interconsultas necessários;
  • realizar procedimentos do pediatra geral, incluindo:
    • coleta de gasometria arterial;
    • punção lombar;
    • intubação oro e nasotraqueal;
    • passagem de agulha intraóssea;
    • instalação de suporte ventilatório;
    • manobras completas de reanimação;
  • preparar a prescrição de cuidados e medicamentos;
  • estabelecer programação terapêutica;
  • realizar abordagem da família para discutir aspectos relacionados à internação, patologia e tratamento;
  • indicar alta, do setor ou hospitalar, e/ou transferência;
  • proceder aos relatórios, encaminhamentos e receitas necessários;
  • procurar manter a continuidade do cuidado do paciente.

II. Médico pediatra plantonista

Compete ao médico pediatra plantonista:

  • realizar admissão e internação do paciente transferido, preenchendo documentação necessária;
  • atender intercorrências;
  • solicitar exames;
  • realizar procedimentos do pediatra geral, incluindo:
    • coleta de gasometria arterial;
    • punção lombar;
    • intubação oro ou nasotraqueal;
    • passagem de agulha intraóssea;
    • instalação de suporte ventilatório;
    • manobras completas de reanimação;
  • estabelecer condutas necessárias à estabilização do paciente;
  • indicar transferência, quando necessário, e proceder aos relatórios e encaminhamento;
  • explicar à família ou responsáveis as informações cabíveis;
  • registrar todas as suas ações assistenciais em prontuário.

III. Médico especialista

Especialidades citadas no documento:

  • Infectologia;
  • Pneumologia Pediátrica.

Compete ao médico especialista:

  • realizar avaliação especializada quando solicitada a interconsulta;
  • registrar sua avaliação no prontuário do paciente;
  • explicitar sua impressão do caso;
  • indicar a conduta mais adequada na perspectiva da especialidade.

IV. Nutricionista

Compete ao nutricionista:

  • realizar avaliação nutricional;
  • registrar em prontuário sua impressão, diagnóstico nutricional e prescrição dietoterápica;
  • discutir com o médico assistente a necessidade de nutrição por vias alternativas;
  • supervisionar preparo e administração da dieta.

V. Fisioterapeuta

Compete ao fisioterapeuta:

  • realizar avaliação física geral;
  • registrar em prontuário sua impressão, condição do paciente e conduta fisioterápica;
  • discutir com o médico assistente a necessidade de suplementação de oxigênio ou suporte ventilatório;
  • supervisionar suporte ventilatório em conjunto com a equipe médica.

VI. Enfermeiro

Compete ao enfermeiro:

  • realizar avaliação de enfermagem, registrando em prontuário;
  • proceder à prescrição de cuidados;
  • supervisionar e dar apoio às atividades assistenciais de enfermagem ao paciente;
  • realizar procedimentos do enfermeiro, incluindo:
    • curativos estéreis;
    • desbridamentos de feridas e aplicação de coberturas;
    • aspiração de vias aéreas;
    • sondagem vesical;
    • sondagem nasogástrica, inclusive para realização de lavado gástrico e coleta de amostra;
    • sondagem nasoentérica;
    • manobras de reanimação;
    • punção arterial;
    • punção jugular;
  • prestar informações às famílias concernentes à assistência de enfermagem.

VII. Técnico de enfermagem

Compete ao técnico de enfermagem:

  • verificar sinais vitais;
  • preparar e administrar medicamentos e compressas;
  • realizar curativos não estéreis;
  • realizar punção venosa periférica;
  • instalar saco coletor de urina;
  • higienizar paciente acamado e leito/mobiliário assistencial;
  • realizar mudança de decúbito do paciente e proteção de proeminências ósseas;
  • auxiliar o enfermeiro em procedimentos;
  • auxiliar a equipe de ressuscitação;
  • transportar de forma segura o paciente;
  • registrar suas ações em prontuário.

VIII. Técnico de laboratório

Compete ao técnico de laboratório:

  • realizar punção venosa periférica para coleta de amostra de sangue para exames;
  • realizar coleta de hemocultura;
  • proceder ao acondicionamento e coleta de amostras do paciente.

6. História Clínica e Exame Físico

6.1 Tuberculose pulmonar

O sintoma mais comum da TB pulmonar em crianças a partir dos 10 anos e adolescentes é a tosse de longa duração, que pode ser seca ou expectorante.

Pode vir acompanhada de:

  • febre vespertina;
  • sudorese noturna;
  • emagrecimento;
  • adinamia.

A característica que deve diferenciar de outros casos de tosse crônica na infância é o curso com piora.

Não é comum a presença de outros sintomas respiratórios.

Na criança menor de 10 anos, o sinal mais comum é a febre vespertina com duração de duas semanas ou mais, de temperaturas moderadas — geralmente < 38,5 °C.

Frequentemente acompanham a febre:

  • irritabilidade;
  • tosse;
  • inapetência;
  • perda de peso;
  • sudorese noturna.

A ausculta pulmonar pode variar de normal até abolição de murmúrio vesicular ou presença de sopro tubário.

Uma variedade de ruídos adventícios pode estar presente e não há uma ausculta patognomônica.

Situações que devem motivar investigação para tuberculose pulmonar

Atenção especial deve ser dada à criança vivendo com HIV/AIDS com alterações sugestivas ao exame clínico.

Deve ser investigada para tuberculose pulmonar a criança que apresente:

  • contato nos últimos dois anos com caso confirmado de TB pulmonar ou laríngea;
  • confirmação de TB extrapulmonar, considerando que a TB pulmonar pode estar associada à extrapulmonar;
  • tosse há ≥ 3 semanas, persistente e em evolução com piora, associada ou não a febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e inapetência;
  • redução do apetite, perda de peso e tosse crônica;
  • pneumonia que não melhora a despeito de tratamento adequado;
  • febre de origem indeterminada;
  • aspecto adoecido e febre intermitente;
  • linfadenomegalia;
  • hepatoesplenomegalia;
  • sudorese noturna;
  • adinamia;
  • sinais de hiper-reatividade, como conjuntivite flictenular e eritema nodoso.

Para o diagnóstico de tuberculose pulmonar, seguir o escore descrito no item 12. Fluxograma.

6.2 Tuberculose extrapulmonar

Os sinais e sintomas da TB extrapulmonar dependem do local acometido.

As formas citadas no protocolo e que merecem investigação quando houver alterações ao exame clínico são:

  • pleural e/ou empiema pleural tuberculoso;
  • ganglionar periférica;
  • meningoencefálica;
  • miliar;
  • laríngea;
  • pericárdica;
  • óssea;
  • renal;
  • ocular;
  • peritoneal.

7. Exames Diagnósticos Indicados

7.1 Exames diagnósticos laboratoriais

I. Prova tuberculínica — PT/PPD

A prova tuberculínica utiliza derivado proteico purificado — PPD — inoculado no antebraço esquerdo, com leitura da possível reação imunológica, caracterizada por enduração palpável, após 48 a 72 horas.

Está indicada para investigação de:

  • ILTB;
  • TB ativa em crianças ≥ 2 anos e menores de 10 anos;
  • crianças a partir de 10 anos com baciloscopia ou TRM-TB negativos.

No momento descrito pelo protocolo, não deve ser usada como primeira escolha devido aos baixos estoques de PPD no País.

II. Baciloscopia

Pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente — BAAR — por microscopia direta em amostras de:

  • escarro;
  • lavado brônquico;
  • lavado gástrico;
  • urina;
  • secreções;
  • biópsias.

Deve ser realizada em duas amostras.

As amostras de escarro e lavado gástrico devem ser coletadas preferencialmente:

  • em jejum;
  • ao acordar.

Está indicada para investigação:

  • da pessoa sintomática respiratória — pelo menos 3 semanas de tosse;
  • dos casos com suspeita clínica e/ou radiológica, independentemente do tempo de tosse.

III. Dosagem sanguínea de interferon-gama — IGRA

Indicada para:

  • detecção de ILTB;
  • investigação de criança ≥ 2 anos e menor de 10 anos, contato de TB ativa ou com suspeita de tuberculose;
  • pessoas candidatas a transplante de células-tronco.

O teste não é influenciado pela vacinação com BCG ou por infecção prévia por micobactéria não tuberculosa.

No momento descrito pelo protocolo, é a escolha para investigação em detrimento da prova tuberculínica devido ao desabastecimento de PPD no Brasil.

Observações apresentadas no documento:

  • o IGRA não é recomendado para crianças < 2 anos;
  • apresenta ≥ 10% de resultados indeterminados em menores de 5 anos, principalmente sob condições imunossupressoras;
  • crianças com morbidades como infecção pelo HIV, pré-transplante de órgãos ou que iniciarão terapia imunossupressora deverão também ser avaliadas com PT/PPD, mesmo sem história de contato com TB.

IV. Teste rápido molecular para tuberculose — TRM-TB

Técnica de PCR para detecção de DNA do complexo M. tuberculosis.

Como detecta DNA de bacilos vivos ou mortos, não serve para avaliar resposta ao tratamento.

Em amostras paucibacilares, como de:

  • pessoas vivendo com HIV/AIDS — PVHA;
  • crianças menores de 10 anos;

não deve ser utilizado para descartar a TB, mas apenas para confirmá-la.

Está indicado para investigação de TB pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes.

Pode ser realizado em amostras de outros materiais biológicos na TB extrapulmonar.

V. Cultura para micobactéria com identificação de espécie e teste de sensibilidade bacteriano

Apresenta alta sensibilidade e especificidade, geralmente necessitando de maior tempo para obtenção do resultado.

Está indicada em todo caso suspeito.

Deve ser realizada preferencialmente na mesma amostra encaminhada para:

  • baciloscopia;
  • TRM-TB;
  • histopatologia.

VI. Histopatologia

Indicada para investigação de formas difusas da doença, como:

  • TB pulmonar miliar;
  • formas extrapulmonares.

A descrição típica apresentada no protocolo é de processo inflamatório granulomatoso com necrose de caseificação.

VII. Adenosina deaminase — ADA

Indicada apenas na investigação de TB pleural.

Deve ser realizada em amostra de líquido pleural.

7.2 Exames diagnósticos de imagem

I. Radiografia de tórax

Indicada para investigação inicial de todo caso suspeito.

Pode apresentar-se:

Normal

  • sem alterações sugestivas de tuberculose.

Com achados suspeitos

  • cavidades;
  • nódulos;
  • consolidações;
  • massas;
  • processo intersticial — miliar;
  • derrame pleural;
  • alargamento de mediastino.

Com achados de sequela

  • bandas;
  • retrações parenquimatosas;
  • calcificações.

II. Tomografia computadorizada de tórax

Indicada na suspeita de TB pulmonar:

  • quando a radiografia inicial é normal; ou
  • para diferenciação com outras doenças torácicas.

Alterações sugestivas de TB descritas no protocolo:

  • cavidades de paredes espessas;
  • nódulos;
  • nódulos centrolobulares de distribuição segmentar;
  • nódulos centrolobulares confluentes;
  • consolidações;
  • espessamento de paredes brônquicas;
  • aspecto de “árvore em brotamento”;
  • massas;
  • bronquiectasias;
  • bandas;
  • nódulos calcificados;
  • cavidades de paredes finas;
  • bronquiectasias de tração;
  • espessamento pleural.

8. Tratamento Indicado e Plano Terapêutico

8.1 Crianças com menos de 10 anos e tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, exceto as formas meningoencefálica e osteoarticular

A. Crianças com peso de 4 a 24 kg

Fase do tratamentoEsquemaFaixa de pesoUnidade/dose diáriaDuração
Intensiva — 2RHZRHZ 75/50/150 mg — comprimido em dose fixa combinada4 a 7 kg1 comprimido2 meses
8 a 11 kg2 comprimidos
12 a 15 kg3 comprimidos
16 a 24 kg4 comprimidos
Manutenção — 4RHRH 75/50 mg — comprimido em dose fixa combinada4 a 7 kg1 comprimido4 meses
8 a 11 kg2 comprimidos
12 a 15 kg3 comprimidos
16 a 24 kg4 comprimidos

RHZ: combinação de rifampicina (R), isoniazida (H) e pirazinamida (Z) em dose fixa combinada.
RH: combinação de rifampicina (R) e isoniazida (H) em dose fixa combinada.

Fonte apresentada no quadro: Dathi/SVSA/MS.
Fonte do protocolo: Brasil, 2024.

B. Crianças com peso menor que 4 kg ou maior que 24 kg

FaseMedicamento< 4 kg — mg/kg/dia≥ 25 a 30 kg — mg/dia≥ 31 a 35 kg — mg/dia≥ 36 a 40 kg — mg/dia≥ 40 a 45 kg — mg/dia≥ 45 kg — mg/diaDuração
IntensivaRifampicina15 (20-20)4505006006006002 meses
IntensivaIsoniazida10 (7-15)300300300300300
IntensivaPirazinamida35 (30-40)900 a 1.000*900 a 1.000*1.5001.5002.000
ManutençãoRifampicina15 (20-20)4505006006006004 meses
ManutençãoIsoniazida10 (7-15)300300300300300

* No quadro institucional original, a célula 900 a 1.000 mg/dia abrange conjuntamente as faixas de peso de 25 a 35 kg.

Nota de migração: o quadro institucional apresenta a rifampicina como 15 (20-20) mg/kg/dia na coluna de peso < 4 kg. O valor foi preservado fielmente nesta etapa, sem correção científica.

Fonte apresentada no quadro: adaptado de Brasil, 2019b.
Observação do documento: na faixa de peso de 25 kg a 35 kg, usar comprimidos dispersíveis de pirazinamida 150 mg — Ofício Conjunto nº 2/2020/CGDR/DCCI/SVS/MS.
Fonte do protocolo: Brasil, 2024.


8.2 Crianças com mais de 10 anos e tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, exceto as formas meningoencefálica e osteoarticular

Fase intensiva — 2RHZE

RHZE 150/75/400/275 mg — comprimido em dose fixa combinada

Faixa de pesoUnidade/dose
20 a 35 kg2 comprimidos
36 a 50 kg3 comprimidos
51 a 70 kg4 comprimidos
> 70 kg5 comprimidos

Duração: 2 meses.

Fase de manutenção — 4RH

RH 300/150 mg ou 150/75 mg — comprimido em dose fixa combinada

Faixa de pesoUnidade/dose
20 a 35 kg1 comprimido de 300/150 mg ou 2 comprimidos de 150/75 mg
36 a 50 kg1 comprimido de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 3 comprimidos de 150/75 mg
51 a 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg ou 4 comprimidos de 150/75 mg
> 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 5 comprimidos de 150/75 mg

Duração: 4 meses.

RHZE: combinação de rifampicina (R), isoniazida (H), pirazinamida (Z) e etambutol (E) em dose fixa combinada.
RH: combinação de rifampicina (R) e isoniazida (H) em dose fixa combinada.

A apresentação 300/150 mg em comprimido deverá ser adotada assim que disponível.

Fonte apresentada no quadro: adaptado de Brasil, 2019b.
Fonte do protocolo: Brasil, 2024.

8.3 Crianças com menos de 10 anos com diagnóstico de tuberculose extrapulmonar meningoencefálica ou osteoarticular

A. Crianças com peso de 4 a 24 kg

Fase do tratamentoEsquemaFaixa de pesoUnidade/dose diáriaDuração
Intensiva — 2RHZRHZ 75/50/150 mg — comprimido em dose fixa combinada4 a 7 kg1 comprimido2 meses
8 a 11 kg2 comprimidos
12 a 15 kg3 comprimidos
16 a 24 kg4 comprimidos
Manutenção — 10RHRH 75/50 mg — comprimido em dose fixa combinada4 a 7 kg1 comprimido10 meses
8 a 11 kg2 comprimidos
12 a 15 kg3 comprimidos
16 a 24 kg4 comprimidos

Fonte: Brasil, 2024.

B. Crianças com peso menor que 4 kg ou maior que 24 kg

FaseMedicamento< 4 kg — mg/kg/dia≥ 25 a 30 kg — mg/dia≥ 31 a 35 kg — mg/dia≥ 36 a 40 kg — mg/dia≥ 40 a 45 kg — mg/dia≥ 45 kg — mg/diaDuração
IntensivaRifampicina15 (20-20)4505006006006002 meses
IntensivaIsoniazida10 (7-15)300300300300300
IntensivaPirazinamida35 (30-40)900 a 1.000*900 a 1.000*1.5001.5002.000
ManutençãoRifampicina15 (20-20)45050060060060010 meses
ManutençãoIsoniazida10 (7-15)300300300300300

* No quadro institucional original, a célula 900 a 1.000 mg/dia abrange conjuntamente as faixas de 25 a 35 kg.

Candidato a revisão/errata: confirmar a expressão 15 (20-20) mg/kg/dia apresentada para rifampicina no quadro institucional. O conteúdo original foi mantido nesta migração.

Fonte: Brasil, 2024.


8.4 Crianças com mais de 10 anos e diagnóstico de tuberculose extrapulmonar meningoencefálica ou osteoarticular

Fase intensiva — 2RHZE

RHZE 150/75/400/275 mg — comprimido em dose fixa combinada

Faixa de pesoUnidade/dose
20 a 35 kg2 comprimidos
36 a 50 kg3 comprimidos
51 a 70 kg4 comprimidos
> 70 kg5 comprimidos

Duração: 2 meses.

Fase de manutenção — 10RH

RH 300/150 mg ou 150/75 mg — comprimido em dose fixa combinada

Faixa de pesoUnidade/dose
20 a 35 kg1 comprimido de 300/150 mg ou 2 comprimidos de 150/75 mg
36 a 50 kg1 comprimido de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 3 comprimidos de 150/75 mg
51 a 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg ou 4 comprimidos de 150/75 mg
> 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 5 comprimidos de 150/75 mg

Duração: 10 meses.

Fonte: Brasil, 2024.

Importante

I. Corticosteroide na tuberculose meningoencefálica

Associar corticosteroide:

  • prednisona: 1 a 2 mg/kg/dia, por quatro semanas;
  • nos casos graves de TB meningoencefálica, preferir dexametasona injetável: 0,3 a 0,4 mg/kg/dia, por quatro a oito semanas, com redução gradual da dose nas quatro semanas subsequentes.

II. Piridoxina

Crianças com tuberculose infectadas pelo HIV ou desnutridas deverão receber suplementação de piridoxina — vitamina B6 — na dose de 5 a 10 mg/dia.


9. Critérios de Mudança Terapêutica

Todos os casos de mudança terapêutica devem ser avaliados anteriormente pela Infectologia.

São critérios de mudança terapêutica:

  1. falha de tratamento;
  2. reação medicamentosa alérgica;
  3. efeito colateral não tolerável pelo paciente;
  4. resistência à droga do tratamento instituído, comprovada por testes de sensibilidade ou moleculares.

10. Critérios de Internação

São critérios de internação:

  1. meningoencefalite tuberculosa;
  2. intolerância medicamentosa incontrolável em ambulatório;
  3. estado geral ou sintomatologia que não permita tratamento em ambulatório;
  4. intercorrências clínicas e/ou cirúrgicas, relacionadas ou não à TB, que necessitem de tratamento e/ou procedimento em unidade hospitalar;
  5. casos em situação de vulnerabilidade social, como:
    • ausência de residência fixa;
    • grupos com maior possibilidade de abandono;
    • especialmente retratamentos;
    • falências;
    • casos de drogarresistência.

11. Critérios de Alta ou Transferência

I. Tuberculose meningoencefálica e osteoarticular

Alta

Alta a critério da equipe interdisciplinar especializada.

Transferência

Transferência a critério da equipe interdisciplinar especializada quando houver:

  • necessidade de procedimento e/ou avaliação especializada não contemplada pelos serviços oferecidos pelo HUSE;
  • paciente estável para término de tratamento em serviço de origem.

II. Tuberculose pulmonar e extrapulmonar, exceto as formas meningoencefálica e osteoarticular

Alta

Considerar alta quando houver:

  • bom estado geral;
  • boa aceitação dos medicamentos;
  • boa aceitação da alimentação;
  • ausência de necessidade de oxigênio por pelo menos 48 horas;
  • ausência de sinais de dispneia há 48 horas;
  • garantia da continuidade do cuidado pós-alta, domiciliar e na Atenção Primária.

Transferência

Indicar transferência quando houver necessidade de procedimento e/ou avaliação especializada não contemplada pelos serviços oferecidos pelo HUSE.


12. Fluxograma

O documento institucional apresenta, nesta seção, o Escore de Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar em Crianças e Adolescentes com baciloscopia negativa ou teste rápido molecular para tuberculose não detectado.

Escore de Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar em Crianças e Adolescentes

Aplicação: crianças e adolescentes com baciloscopia negativa ou teste rápido molecular para tuberculose não detectado.

Quadro clínico

CritérioPontos
Febre ou sintomas como tosse, adinamia, expectoração, emagrecimento ou sudorese por ≥ 2 semanas+15
Assintomático ou com sintomas há < 2 semanas0
Infecção respiratória com melhora após uso de antibióticos para germes comuns ou sem antibióticos-10

Investigação radiológica

CritérioPontos
Adenomegalia hilar ou padrão miliar; e/ou condensação ou infiltrado, com ou sem escavação, inalterado por ≥ 2 semanas; e/ou condensação ou infiltrado, com ou sem escavação, por ≥ 2 semanas, evoluindo com piora ou sem melhora com antibióticos para germes comuns+15
Condensação ou infiltrado de qualquer tipo por < 2 semanas+5
Radiografia normal-5

Contato de adulto com tuberculose

CritérioPontos
Contato próximo nos últimos 2 anos+10
Contato ocasional ou negativo0

Prova tuberculínica ou IGRA

CritérioPontos
PT entre 5 e 9 mm+5
PT ≥ 10 mm ou IGRA reagente/indeterminado+10
PT < 5 mm0

Estado nutricional

CritérioPontos
Desnutrição grave — peso < percentil 0,1 ou escore-z < -3+5
Peso ≥ percentil 0,1 ou escore-z ≥ -30

Interpretação

SomatórioInterpretaçãoConduta apresentada no protocolo
≥ 40 pontosDiagnóstico muito provávelRecomenda-se iniciar o tratamento da tuberculose
30 a 35 pontosDiagnóstico possívelIndicativo de tuberculose; orienta-se iniciar tratamento a critério médico
≤ 25 pontosDiagnóstico pouco provávelProsseguir com a investigação na criança

Candidato a revisão/errata: o documento institucional não explicita a classificação dos somatórios entre 36 e 39 pontos. O conteúdo acima foi mantido fielmente, sem preenchimento dessa lacuna.

Nos casos classificados como diagnóstico pouco provável, deverá ser realizado diagnóstico diferencial com outras doenças pulmonares, podendo ser empregados métodos complementares, incluindo:

  • baciloscopia;
  • cultura de escarro induzido ou lavado gástrico;
  • broncoscopia;
  • histopatologia de punções;
  • outros exames de métodos rápidos.

IGRA: Interferon-Gamma Release Assays — ensaios de liberação do interferon-gama.
PT: prova tuberculínica — PPD.

A prova tuberculínica deve ser interpretada para infecção por M. tuberculosis independentemente do tempo de vacinação pela BCG.

Em razão do baixo estoque de PPD no Brasil, o protocolo registra a recomendação vigente desde 2023 do Ministério da Saúde de utilizar IGRA para investigação de crianças ≥ 2 anos seguindo o escore clínico acima.

Ponto para atualização futura: a disponibilidade de PPD e a recomendação operacional sobre preferência por IGRA são informações dependentes do período e merecem confirmação na próxima revisão científica.

Fonte apresentada no protocolo: Adaptado de Sant’Anna et al., 2006.

Nota de migração: embora a seção seja intitulada “Fluxograma” no documento institucional, o conteúdo apresentado corresponde a um escore diagnóstico.

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13. Monitoramento

Os indicadores para monitoramento do protocolo clínico Tuberculose na Infância são:

I. Notificação

Indicador:

Número de casos notificados no SINAN para TB × 100
Total de casos suspeitos de TB

Meta do indicador: 95%

II. Investigação

Indicador:

Número de casos suspeitos < 10 anos com solicitação de IGRA ou PPD × 100
Total de casos suspeitos < 10 anos

Meta do indicador: 90%

III. Tratamento

Indicador:

Número de casos com diagnóstico de TB com início de tratamento em esquema padrão no momento da confirmação × 100
Total de casos com diagnóstico de TB

Meta do indicador: 90%


Referências

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de Vigilância em Saúde: volume 2 [recurso eletrônico]. 6. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2024.

  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.

  3. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratória de Condições Crônicas. Nota Informativa nº 1/2023-CGDR/DCCI/SVS/MS. Brasília, 2023.

  4. SANT'ANNA, C. C. et al. Evaluation of a proposed diagnostic scoring system for pulmonary tuberculosis in Brazilian children. The International Journal of Tuberculosis and Lung Disease, v. 10, n. 4, p. 463-465, 2006.


Histórico de Revisão

VersãoDataDescrição da alteração
0108/01/2025Elaboração inicial do documento

Elaboração

  • Camile d’Ávila Levita — Médica Infectologista Pediátrica / HUSE

Data: 08/01/2025

Análise e Revisão

  • Vanise Aragão Parente — Médica Infectologista da Pediatria / HUSE
  • Ana Claúdia de Brito — Médica Infectologista da CCIH / HUSE

Data: 05/02/2025

Validação

  • Christiane Barreto — Médica; Coordenadora da Pediatria / HUSE
  • Izadora Barroso Torres — Serviço de Gestão da Qualidade Hospitalar / HUSE

Data: 10/03/2025

Aprovação

  • Lycia Maria Diniz Mendonça Alves — Diretora Técnica / HUSE

Data: 11/03/2025