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Tuberculose na Infância ​

Documento oficial: PRO.PED.001
Tipo documental: Protocolo
Emissão: 11/03/2025
Próxima revisão: 11/03/2028
Versão: 01
Instituição: Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho — HUSE
Status no PAI: Migração fiel do documento institucional aprovado, preservando o conteúdo do original em PDF.

1. CONCEITO ​

A tuberculose (TB) é doença infecciosa causada por bacilos do complexo Mycobacterium tuberculosis e transmitida principalmente por contato com pessoa bacilífera (que elimina bacilos pela via respiratória), sem tratamento ou em até 15 (quinze) dias após início do tratamento, por meio de aerossol. O bacilo pode permanecer em período de latência, que pode ser prolongado até por vários anos, sendo que o risco de adoecimento é maior nos primeiros dois anos. Pessoa com TB exclusivamente extrapulmonar não transmite a doença. A tuberculose é agravo de notificação compulsória, devendo o profissional de saúde que fez a suspeita certificar-se de que seja realizado o registro no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

A precaução adequada para paciente em investigação ou com baciloscopia/cultura de escarro positiva é manter o paciente em quarto privativo; o paciente deve utilizar máscara cirúrgica ao ser transportado fora do quarto; o profissional de saúde deve utilizar máscara PFF2/N95 (avental, luvas e óculos, se for realizar procedimento que possa produzir respingo de secreção). A precaução deve ser mantida por 15 (quinze) dias do início do tratamento adequado, inclusive se o paciente for dispensado para tratamento em domicílio.

1.1 Definições ​

I. TB ativa: infecção pelo Mycobacterium tuberculosis com manifestação de sinais e sintomas (adoecimento);
II. Infecção Latente da Tuberculose (ILTB): infecção latente pelo Mycobacterium tuberculosis, quando não há doença ativa apesar da presença da bactéria no organismo;
III. Contato: toda pessoa que foi exposta a caso de TB confirmada, no convívio em casa, escola, instituição, etc. A avaliação de risco de infecção deve levar em conta a forma de doença do caso-fonte, o ambiente e o tempo de exposição;
IV. Caso suspeito de tuberculose pulmonar: pessoa com tosse há ≥ 03 semanas (se pessoa vivendo com HIV/AIDS, tosse com qualquer duração) associada ou não a febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e inapetência;
V. Suspeita de tuberculose extrapulmonar: sinais e sintomas dependem da área acometida.

2. OBJETIVO ​

Padronizar a investigação da tuberculose em pacientes pediátricos, bem como orientar as melhores opções terapêuticas no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (HUSE).

3. JUSTIFICATIVA ​

A tuberculose na infância pode apresentar-se de formas variadas, dificultando o diagnóstico. A utilização do sistema de escore está indicada pelo Ministério da Saúde e a padronização de linhas investigativas deve ser adotada para o reconhecimento da patologia e manejo assertivo.

4. CRITÉRIOS DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO ​

Serão incluídos todos os indivíduos abaixo de 13 (treze) anos com suspeita de tuberculose pela definição do Ministério da Saúde de caso suspeito, ou aqueles com sinais e sintomas sugestivos de TB, ou ainda os contatos próximos de pessoas com tuberculose bacilífera. Serão excluídos os indivíduos a partir de 13 (treze) anos, que comprovem etiologia outra que não o Mycobacterium tuberculosis ou que, à investigação, resultem em caso descartado. Também serão excluídos os casos de ILTB que deverão ser abordados conforme protocolo específico.

5. ATRIBUIÇÕES, COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES ​

I. Médico pediatra diarista ​

Realizar evolução diária do paciente internado, registrando adequadamente em prontuário; solicitar exames e interconsultas necessários; realizar procedimentos do pediatra geral (coleta de gasometria arterial, punção lombar, intubação oro e nasotraqueal, passagem de agulha intraóssea, instalação de suporte ventilatório, manobras completas de reanimação); preparar a prescrição de cuidados e medicamentos; estabelecer programação terapêutica; realizar abordagem da família para discutir aspectos relacionados à internação/patologia/tratamento; indicar alta (do setor ou hospitalar) e/ou transferência, procedendo aos relatórios, encaminhamentos e receitas necessários, procurando manter a continuidade do cuidado do paciente.

II. Médico pediatra plantonista ​

Realizar admissão e internação do paciente transferido, preenchendo documentação necessária; atender intercorrências; solicitar exames, realizar procedimentos do pediatra geral (coleta de gasometria arterial, punção lombar, intubação oro ou nasotraqueal, passagem de agulha intraóssea, instalação de suporte ventilatório, manobras completas de reanimação) e estabelecer condutas necessárias à estabilização do paciente; indicar transferência, quando necessário, e proceder aos relatórios e encaminhamento; explicar à família/responsáveis as informações cabíveis; registrar todas as suas ações assistenciais em prontuário.

III. Médico especialista (Infectologia e Pneumologia pediátrica) ​

Realizar avaliação especializada quando solicitada a interconsulta; registrar sua avaliação no prontuário do paciente explicitando sua impressão do caso e indicando a conduta mais adequada na perspectiva da especialidade.

IV. Nutricionista ​

Realizar avaliação nutricional, registrando em prontuário sua impressão, diagnóstico nutricional e prescrição dietoterápica; discutir com médico assistente necessidade de nutrição por vias alternativas; supervisionar preparo e administração de dieta.

V. Fisioterapeuta ​

Realizar avaliação física geral, registrando em prontuário sua impressão, condição do paciente e conduta fisioterápica; discutir com médico assistente necessidade de suplementação de oxigênio ou suporte ventilatório; supervisionar suporte ventilatório em conjunto com equipe médica.

VI. Enfermeiro ​

Realizar avaliação de enfermagem, registrando em prontuário e procedendo à prescrição de cuidados; supervisionar e dar apoio às atividades assistenciais de enfermagem ao paciente; realizar procedimentos do enfermeiro (curativos estéreis, desbridamentos de feridas e aplicação de coberturas, aspiração de vias aéreas, sondagem vesical, nasogástrica – inclusive para realização de lavado gástrico e coleta de amostra – e nasoentérica; manobras de reanimação, punção arterial e jugular); prestar informações às famílias concernentes à assistência de enfermagem.

VII. Técnico de enfermagem ​

Verificar sinais vitais; preparar e administrar medicamentos e compressas; realizar curativos não estéreis; realizar punção venosa periférica; instalação de saco coletor de urina; higienizar paciente acamado e leito/mobiliário assistencial; realizar mudança de decúbito do paciente e proteção de proeminências ósseas; auxiliar enfermeiro em procedimentos; auxiliar a equipe de ressuscitação; transportar de forma segura o paciente; registrar suas ações em prontuário.

VIII. Técnico de laboratório ​

Realizar punção venosa periférica para coleta de amostra de sangue para exames, coleta de hemocultura; acondicionamento e coleta de amostras do paciente.

6. HISTÓRIA CLÍNICA E EXAME FÍSICO ​

6.1 Tuberculose pulmonar ​

O sintoma mais comum da TB pulmonar em crianças a partir dos 10 anos e adolescentes é a tosse de longa duração, que pode ser seca ou expectorante. Pode vir acompanhada de febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e adinamia. A característica que deve diferenciar de outros casos de tosse crônica na infância é o curso com piora. Não é comum a presença de outros sintomas respiratórios.

Na criança menor de 10 (dez) anos, o sinal mais comum é a febre vespertina com duração de duas semanas ou mais, de temperaturas moderadas – geralmente < 38,5°C. Frequentemente acompanham a febre: irritabilidade, tosse, inapetência, perda de peso e sudorese noturna.

A ausculta pulmonar pode variar de normal até abolição de murmúrio vesicular ou presença de sopro tubário. Uma variedade de ruídos adventícios pode estar presente e não há uma ausculta patognomônica.

Deve ser investigada para tuberculose pulmonar a criança que apresente (atenção especial deve ser dada à criança vivendo com HIV/AIDS com alterações sugestivas ao exame clínico):

  • Contato nos últimos dois anos com caso confirmado de TB pulmonar ou laríngea;
  • Confirmação de TB extrapulmonar(a TB pulmonar pode estar associada à extrapulmonar);
  • Tosse há ≥ três semanas, persistente e em evolução com piora, associada ou não a febre vespertina, sudorese noturna, emagrecimento e inapetência;
  • Redução do apetite, perda de peso e tosse crônica;
  • Pneumonia que não melhora a despeito de tratamento adequado;
  • Febre de origem indeterminada;
  • Aspecto adoecido e febre intermitente, linfadenomegalia, hepatoesplenomegalia, sudorese noturna, adinamia ou sinais de hiper-reatividade (conjuntivite flictenular e eritema nodoso).

Para o diagnóstico de tuberculose pulmonar, seguir o escore no item 12. Fluxograma.

6.2 Tuberculose extrapulmonar ​

Os sinais e sintomas da TB extrapulmonar vão depender do local acometido. As formas mais comuns e que merecem investigação quando alterados ao exame clínico são: pleural e/ou empiema pleural tuberculoso, ganglionar periférica, meningoencefálica, miliar, laríngea, pericárdica, óssea, renal, ocular e peritoneal.

7. EXAMES DIAGNÓSTICOS INDICADOS ​

7.1 Exames diagnósticos laboratoriais ​

I. Prova tuberculínica (PT/PPD – derivado proteico purificado) ​

Inoculação do PT/PPD no antebraço esquerdo e leitura da possível reação imunológica (enduração palpável) após 48-72 horas. Indicado para investigação de ILTB e TB ativa em crianças ≥ 2 anos, menores que 10 anos e crianças a partir de 10 anos com baciloscopia ou TRM-TB negativos. No momento, não deve ser usado como primeira escolha por conta de baixos estoques no País.

II. Baciloscopia ​

Pesquisa de bacilo álcool-ácido resistente (BAAR) por microscopia direta em amostras de escarro, lavado brônquico ou gástrico, urina, secreções ou biópsias. Deve ser realizada em 2 amostras, sendo as de escarro e lavado gástrico coletadas preferencialmente em jejum ao acordar. Indicada para a investigação da pessoa sintomática respiratória (pelo menos 3 semanas de tosse) e dos casos de suspeita clínica e/ou radiológica, independente do tempo de tosse.

III. Dosagem sanguínea de interferon-Gama (IGRA) ​

Indicado para detecção de ILTB, investigação de criança (≥ 2 e menor que 10 anos) contato de TB ativa ou com suspeita de tuberculose e pessoas candidatas a transplante de células tronco. Não é influenciado pela vacinação com BCG ou infecção prévia por micobactéria não tuberculosa. No momento, é a escolha para investigação em detrimento da prova tuberculínica, pelo desabastecimento do PPD no Brasil.

OBS: O IGRA não é recomendado para crianças < 2 anos de idade. Além disso, apresenta ≥ 10% de resultados indeterminados em menores de 5 anos de idade, principalmente sob condições imunossupressoras. Crianças com morbidades como infecção pelo HIV, pré-transplante de órgãos ou que iniciarão terapia imunossupressora deverão também ser avaliadas com PT/PPD, mesmo sem história de contato com TB.

IV. Teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB) ​

Técnica de PCR para detecção de DNA do complexo M. tuberculosis (vivos ou mortos, por isso não serve para avaliar resposta de tratamento) em escarro. Em amostras paucibacilares, como de pessoas vivendo com HIV/AIDS (PVHA) e crianças menores de 10 anos, não deve ser utilizado para descartar, mas apenas confirmar a TB. Indicado para investigação de TB pulmonar e laríngea em adultos e adolescentes; pode ser realizado em amostras de outros materiais biológicos na TB extrapulmonar.

V. Cultura para micobactéria com identificação de espécie e teste de sensibilidade bacteriano ​

Alta sensibilidade e especificidade, geralmente leva tempo maior para resultado. Indicada em todo caso suspeito, devendo ser realizada preferencialmente na mesma amostra a ser enviada para baciloscopia, TRM-TB ou histopatologia.

VI. Histopatologia ​

Indicada para investigação de formas difusas da doença, como a TB pulmonar miliar e as extrapulmonares. A descrição típica é a de processo inflamatório granulomatoso com necrose de caseificação.

VII. Adenosina de aminase (ADA) ​

Indicada apenas na investigação de TB pleural e deve ser realizada em amostra de líquido pleural.

7.2 Exames diagnósticos de imagem ​

I. Radiografia de tórax ​

Indicada para investigação inicial de todo caso suspeito. Pode apresentar-se normal (sem alterações sugestivas de tuberculose) ou com achados suspeitos (cavidades, nódulos, consolidações, massas, processo intersticial – miliar, derrame pleural e alargamento de mediastino), ou ainda com achados de sequela (imagens sugestivas de lesões cicatriciais, como bandas, retrações parenquimatosas e calcificações).

II. Tomografia computadorizada de tórax ​

Indicada na suspeita de TB pulmonar, quando a radiografia inicial é normal ou na diferenciação com outras doenças torácicas. São alterações sugestivas de TB: cavidades de paredes espessas, nódulos, nódulos centrolobulares de distribuição segmentar, nódulos centrolobulares confluentes, consolidações, espessamento de paredes brônquicas, aspecto de “árvore em brotamento”, massas, bronquiectasias, bandas, nódulos calcificados, cavidades de paredes finas, bronquiectasias de tração, espessamento pleural.

8. TRATAMENTO INDICADO E PLANO TERAPÊUTICO ​

8.1 Para crianças com menos de 10 anos e tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, EXCETO as formas meningoencefálica e osteoarticular (tabelas por peso) ​

A. Crianças com peso de 4 a 24 Kg ​

FASES DO TRATAMENTOESQUEMAFAIXAS DE PESOUNIDADE/DOSE DIÁRIADURAÇÃO DO TRATAMENTO (MESES)
Intensiva (2RHZ*)RHZ** 75/50/150 mg Comprimido em dose fixa combinada4 kg a 7 kg1 comprimido2
8 kg a 11 kg2 comprimidos
12 kg a 15 kg3 comprimidos
16 kg a 24 kg4 comprimidos
Manutenção (4RH*)RH** 75/50 mg Comprimido em dose fixa combinada4 kg a 7 kg1 comprimido4
8 kg a 11 kg2 comprimidos
12 kg a 15 kg3 comprimidos
16 kg a 24 kg4 comprimidos

Fonte: Brasil, 2024.

B. Crianças com peso menor que 4 Kg ou maior que 24 Kg ​

FASES DO TRATAMENTOMEDICAMENTOS<4 KG MG/KG/DIA≥25 KG a 30 KG MG/DIA≥31 KG a 35 KG MG/DIA≥36 KG a 40 KG MG/DIA≥40 KG a 45 KG MG/DIA≥45 KG MG/DIADURAÇÃO DO TRATAMENTO (MESES)
IntensivaRifampicina15 (20-20)4505006006006002
IntensivaIsoniazida10 (7-15)300300300300300
IntensivaPirazinamida35 (30-40)900 a 1.000900 a 1.0001.5001.5002.000
ManutençãoRifampicina15 (20-20)4505006006006004
ManutençãoIsoniazida10 (7-15)300300300300300

Fonte: adaptado de Brasil, 2019b.

* Na faixa de peso de 25 kg a 35 kg, usar os comprimidos dispersíveis de pirazinamida 150 mg (Ofício Conjunto nº 2/2020/CGDR/DCCI/SVS/MS).

Fonte: Brasil, 2024.

8.2 Para crianças com mais de 10 anos e tuberculose pulmonar ou extrapulmonar, EXCETO as formas meningoencefálica e osteoarticular ​

Fase intensiva (2RHZE*) ​

RHZE 150/75/400/275 mg – comprimido em dose fixa combinada.

FAIXA DE PESOUNIDADE/DOSE
20 kg a 35 kg2 comprimidos
36 kg a 50 kg3 comprimidos
51 kg a 70 kg4 comprimidos
>70 kg5 comprimidos

Duração: 2 meses.

Fase de manutenção (4RH*) ​

RH 300/150 mg ou 150/75 mg – comprimido em dose fixa combinada.

FAIXA DE PESOUNIDADE/DOSE
20 kg a 35 kg1 comprimido de 300/150 mg ou 2 comprimidos de 150/75 mg
36 kg a 50 kg1 comprimido de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 3 comprimidos de 150/75 mg
51 kg a 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg ou 4 comprimidos de 150/75 mg
>70 kg2 comprimidos de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 5 comprimidos de 150/75 mg

Duração: 4 meses.

Fonte: Brasil, 2024.

8.3 Para crianças com menos de 10 anos com diagnóstico de tuberculose extrapulmonar meningoencefálica ou osteoarticular (tabelas por peso) ​

A. Crianças com peso de 4 a 24 Kg ​

FASES DO TRATAMENTOESQUEMAFAIXAS DE PESOUNIDADE/DOSE DIÁRIADURAÇÃO DO TRATAMENTO (MESES)
Intensiva (2RHZ*)RHZ** 75/50/150 mg Comprimido em dose fixa combinada4 kg a 7 kg1 comprimido2
8 kg a 11 kg2 comprimidos
12 kg a 15 kg3 comprimidos
16 kg a 24 kg4 comprimidos
Manutenção (10RH*)RH** 75/50 mg Comprimido em dose fixa combinada4 kg a 7 kg1 comprimido10
8 kg a 11 kg2 comprimidos
12 kg a 15 kg3 comprimidos
16 kg a 24 kg4 comprimidos

Fonte: Brasil, 2024.

B. Crianças com peso menor que 4 Kg ou maior que 24 Kg ​

FASES DO TRATAMENTOMEDICAMENTOS<4 KG MG/KG/DIA≥25 KG a 30 KG MG/DIA≥31 KG a 35 KG MG/DIA≥36 KG a 40 KG MG/DIA≥40 KG a 45 KG MG/DIA≥45 KG MG/DIADURAÇÃO DO TRATAMENTO (MESES)
IntensivaRifampicina15 (20-20)4505006006006002
IntensivaIsoniazida10 (7-15)300300300300300
IntensivaPirazinamida35 (30-40)900 a 1.000900 a 1.0001.5001.5002.000
ManutençãoRifampicina15 (20-20)45050060060060010
ManutençãoIsoniazida10 (7-15)300300300300300

Fonte: adaptado de Brasil, 2019b.

* Na faixa de peso de 25 kg a 35 kg, usar os comprimidos dispersíveis de pirazinamida 150 mg (Ofício Conjunto nº 2/2020/CGDR/DCCI/SVS/MS).

Fonte: Brasil, 2024.

8.4 Para crianças com mais de 10 anos e diagnóstico de tuberculose extrapulmonar meningoencefálica ou osteoarticular ​

Fase intensiva (2RHZE*) ​

RHZE 150/75/400/275 mg – comprimido em dose fixa combinada.

FAIXA DE PESOUNIDADE/DOSE
20 kg a 35 kg2 comprimidos
36 kg a 50 kg3 comprimidos
51 kg a 70 kg4 comprimidos
>70 kg5 comprimidos

Duração: 2 meses.

Fase de manutenção (10RH*) ​

RH 300/150 mg ou 150/75 mg – comprimido em dose fixa combinada.

FAIXA DE PESOUNIDADE/DOSE
20 kg a 35 kg1 comprimido de 300/150 mg ou 2 comprimidos de 150/75 mg
36 kg a 50 kg1 comprimido de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 3 comprimidos de 150/75 mg
51 kg a 70 kg2 comprimidos de 300/150 mg ou 4 comprimidos de 150/75 mg
>70 kg2 comprimidos de 300/150 mg + 1 comprimido de 150/75 mg ou 5 comprimidos de 150/75 mg

Duração: 10 meses.

Fonte: Brasil, 2024.

IMPORTANTE ​

I. Associar corticosteroide na TB meningoencefálica: prednisona (1mg a 2mg/kg/dia) por quatro semanas; nos casos graves de TB meningoencefálica, preferir o uso de dexametasona injetável (0,3mg a 0,4mg/kg/dia), por quatro a oito semanas, com redução gradual da dose nas quatro semanas subsequentes.
II. Crianças com tuberculose infectadas pelo HIV ou desnutridas deverão receber suplementação de piridoxina – vitamina B6 (5mg a 10mg/dia).

9. CRITÉRIOS DE MUDANÇA TERAPÊUTICA ​

Todos os casos de mudança terapêutica devem ser avaliados anteriormente pela Infectologia. Os critérios são:

I. Falha de tratamento;
II. Reação medicamentosa alérgica;
III. Efeito colateral não tolerável pelo paciente;
IV. Resistência à droga do tratamento instituído comprovada por testes de sensibilidade ou moleculares.

10. CRITÉRIOS DE INTERNAÇÃO ​

I. Meningoencefalite tuberculosa;
II. Intolerância medicamentosa incontrolável em ambulatório;
III. Estado geral ou sintomatologia que não permita tratamento em ambulatório;
IV. Intercorrências clínicas e/ou cirúrgicas relacionadas ou não a TB, que necessitem de tratamento e/ou procedimento em unidade hospitalar;
V. Casos em situação de vulnerabilidade social, como ausência de residência fixa ou grupos com maior possibilidade de abandono, especialmente retratamentos, falências ou casos de drogarresistência.

11. CRITÉRIOS DE ALTA OU TRANSFERÊNCIA ​

I. Para pacientes com tuberculose nas formas meningoencefálica e osteoarticular: alta a critério da equipe interdisciplinar especializada. Transferência a critério da equipe interdisciplinar especializada se necessidade de procedimento e/ou avaliação especializada não contemplada pelos serviços oferecidos pelo HUSE; paciente estável para término de tratamento em serviço de origem.

II. Para pacientes com tuberculose pulmonar e extrapulmonar que não meningoencefálica ou osteoarticular: alta se bom estado geral, boa aceitação dos medicamentos e alimentação, sem necessidade de oxigênio por pelo menos 48h, sem sinais de dispneia há 48h, garantia da continuidade do cuidado pós-alta (domiciliar e na Atenção Primária). Transferência se necessidade de procedimento e/ou avaliação especializada não contemplada pelos serviços oferecidos pelo HUSE.

12. FLUXOGRAMA ​

ESCORE DE DIAGNÓSTICO DA TUBERCULOSE PULMONAR EM CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM BACILOSCOPIA NEGATIVA OU TESTE RÁPIDO MOLECULAR PARA TUBERCULOSE NÃO DETECTADO ​

Escore de Diagnóstico da Tuberculose Pulmonar em Crianças e Adolescentes ​

Aplicação: crianças e adolescentes com baciloscopia negativa ou teste rápido molecular para tuberculose não detectado.

Quadro clínico ​

CritérioPontos
Febre ou sintomas como tosse, adinamia, expectoração, emagrecimento ou sudorese por ≥ 2 semanas+15
Assintomático ou com sintomas há < 2 semanas0
Infecção respiratória com melhora após uso de antibióticos para germes comuns ou sem antibióticos-10

Investigação radiológica ​

CritérioPontos
Adenomegalia hilar ou padrão miliar; e/ou condensação ou infiltrado, com ou sem escavação, inalterado por ≥ 2 semanas; e/ou condensação ou infiltrado, com ou sem escavação, por ≥ 2 semanas, evoluindo com piora ou sem melhora com antibióticos para germes comuns+15
Condensação ou infiltrado de qualquer tipo por < 2 semanas+5
Radiografia normal-5

Contato de adulto com tuberculose ​

CritérioPontos
Contato próximo nos últimos 2 anos+10
Contato ocasional ou negativo0

Prova tuberculínica ou IGRA ​

CritérioPontos
PT entre 5 e 9 mm+5
PT ≥ 10 mm ou IGRA reagente/indeterminado+10
PT < 5 mm0

Estado nutricional ​

CritérioPontos
Desnutrição grave — peso < percentil 0,1 ou escore-z < -3+5
Peso ≥ percentil 0,1 ou escore-z ≥ -30

Interpretação ​

SomatórioInterpretaçãoConduta apresentada no protocolo
≥ 40 pontosDiagnóstico muito provávelRecomenda-se iniciar o tratamento da tuberculose
30 a 35 pontosDiagnóstico possívelIndicativo de tuberculose; orienta-se iniciar tratamento a critério médico
≤ 25 pontosDiagnóstico pouco provávelProsseguir com a investigação na criança

Candidato a revisão/errata: o documento institucional não explicita a classificação dos somatórios entre 36 e 39 pontos. O conteúdo acima foi mantido fielmente, sem preenchimento dessa lacuna.

Nos casos classificados como diagnóstico pouco provável, deverá ser realizado diagnóstico diferencial com outras doenças pulmonares, podendo ser empregados métodos complementares, incluindo:

  • baciloscopia;
  • cultura de escarro induzido ou lavado gástrico;
  • broncoscopia;
  • histopatologia de punções;
  • outros exames de métodos rápidos.

IGRA: Interferon-Gamma Release Assays — ensaios de liberação do interferon-gama.
PT: prova tuberculínica — PPD.

A prova tuberculínica deve ser interpretada para infecção por M. tuberculosis independentemente do tempo de vacinação pela BCG.

Em razão do baixo estoque de PPD no Brasil, o protocolo registra a recomendação vigente desde 2023 do Ministério da Saúde de utilizar IGRA para investigação de crianças ≥ 2 anos seguindo o escore clínico acima.

Ponto para atualização futura: a disponibilidade de PPD e a recomendação operacional sobre preferência por IGRA são informações dependentes do período e merecem confirmação na próxima revisão científica.

Fonte apresentada no protocolo: Adaptado de Sant’Anna et al., 2006.

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Interpretação ​

  • Somatório de pontos ≥40 (diagnóstico muito provável): recomenda-se iniciar o tratamento da tuberculose.
  • Somatório de pontos de 30 a 35 (diagnóstico possível): indicativo de tuberculose; orienta-se iniciar tratamento a critério médico.
  • Somatório de pontos ≤25 (diagnóstico pouco provável): prosseguir com a investigação na criança. Deverá ser feito diagnóstico diferencial com outras doenças pulmonares, podendo ser empregados métodos complementares de diagnóstico, como baciloscopias e cultura de escarro induzido ou de lavado gástrico, broncoscopia, histopatológico de punções e outros exames de métodos rápidos.

IGRA - Interferon-Gamma Release Assays (ensaios de liberação do interferon-gama)

PT – prova tuberculínica (PPD)

OBS: A prova tuberculínica (PPD) deve ser interpretada para infecção por M. tuberculosis independentemente do tempo de vacinação pela BCG.

Fonte: Adaptado de Sant’Anna et al., 2006.

Em razão de o PPD estar com baixo estoque no Brasil, a recomendação atual (desde 2023) do Ministério da Saúde é de utilizar o IGRA para a investigação de crianças ≥ 2 anos seguindo o escore clínico acima.

13. MONITORAMENTO ​

Os indicadores para monitoramento do protocolo clínico Tuberculose na Infância são:

I. NOTIFICAÇÃO ​

Número de casos notificados no SINAN para TB / total de casos suspeitos de TB X 100

Meta do indicador: 95%

II. INVESTIGAÇÃO ​

Número de casos suspeitos < 10 anos com solicitação de IGRA ou PPD / total de casos suspeitos < 10 anos X 100

Meta do indicador: 90%

III. TRATAMENTO ​

Número de casos com diagnóstico de TB com início de tratamento em esquema padrão no momento da confirmação / total de casos com diagnóstico de TB X 100

Meta do indicador: 90%


REFERÊNCIAS ​

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 2 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. – 6. ed. rev. – Brasília: Ministério da Saúde, 2024. 3 v. : il.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019. 364 p. : il.

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Coordenação-Geral de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratória de Condições Crônicas. NOTA INFORMATIVA Nº 1/2023-CGDR/.DCCI/SVS/MS. Brasília, 2023.

SANT'ANNA, C. C. et al. Evaluation of a proposed diagnostic scoring system for pulmonary tuberculosis in Brazilian children. The International Journal of Tuberculosis and Lung Disease, v. 10, n. 4, p. 463-465, 2006.


HISTÓRICO DE REVISÃO ​

VERSÃODATADESCRIÇÃO DA ALTERAÇÃO
0108/01/2025Elaboração inicial do documento

Elaboração ​

Camile d’Ávila Levita - Médica Infectologista Pediátrica / HUSE

Data: 08/01/2025

Análise e Revisão ​

Vanise Aragão Parente - Médica Infectologista da Pediatria / HUSE
Ana Claúdia de Brito - Médica Infectologista da CCIH / HUSE

Data: 05/02/2025

Validação ​

Christiane Barreto - Médica; Coordenadora da Pediatria / HUSE
Izadora Barroso Torres - Serviço de Gestão da Qualidade Hospitalar / HUSE

Data: 10/03/2025

Aprovação ​

Lycia Maria Diniz Mendonça Alves- Diretora Técnica / HUSE

Data: 11/03/2025